Você já percebe que muito do seu jeito de amar, de brigar e de lidar com dinheiro veio de casa. Agora a pergunta é outra: o que fazer com isso, sem romper com quem você ama?
Você sabe o que aconteceu, mas ainda espera que um dia seu pai, sua mãe ou seus irmãos sejam diferentes. Ou sente que não pode falar dos defeitos de alguém da família, como se fosse uma traição.
Os filhos cresceram, o trabalho mudou ou as pessoas passaram a se virar sem você. Era para ser alívio, mas veio um vazio: quem sou eu quando ninguém precisa de mim?
Você se antecipa aos problemas de quem ama, dá conselhos, liga para conferir, resolve antes que dê errado. E, de vez em quando, ouve: “me deixa viver a minha vida”.
Você é quem resolve, quem lembra, quem ajuda, quem segura as pontas. Todo mundo conta com você. Mas, quando o dia termina, quase nunca sobra tempo, energia ou vontade para cuidar de si.
Depois dos 60, mudanças na família, nas amizades, no trabalho e na rotina podem fazer a casa e a vida social parecerem mais silenciosas. A pessoa pode sentir isolamento mesmo quando está fisicamente cercada de outras pessoas.
Pessoa com 60 anos ou mais deseja organizar os próximos anos, criar projetos ou tomar decisões sobre o futuro, mas pode sentir que planejamento pertence apenas à juventude ou à fase anterior à aposentadoria.
Pessoa com 60 anos ou mais percebe que sua idade passa a funcionar como rótulo social e que outras pessoas podem reduzir sua identidade à condição de “idoso”.
Pais, mães, cuidadores e educadores se perguntam quais conhecimentos e competências continuarão sendo importantes para crianças e adolescentes diante de um futuro imprevisível.
Pais e cuidadores sentem que as formas de educação que receberam podem não ser suficientes para orientar os filhos diante de transformações sociais, tecnológicas e culturais.
O responsável percebe mudanças marcantes no comportamento, interesses, relações e forma de comunicação do filho e passa a se perguntar se está diante de transformações próprias da adolescência ou de algo que merece maior atenção.
Pais e cuidadores conseguem estabelecer uma regra ou dizer “não”, mas encontram dificuldade para manter o limite diante da resistência, negociação ou conflito com o adolescente.
Pais e cuidadores percebem que as conversas com o filho adolescente terminam em silêncio, irritação, respostas curtas ou incompreensão. Existe a sensação de que, apesar de falar com o filho, não conseguem realmente alcançá-lo.
Muitas pessoas, diante de uma injustiça profunda, esperam que a vida, o destino ou uma força maior corrijam sozinhos o que aconteceu — sem que seja preciso fazer nada além de esperar.
Depois de uma injustiça, uma traição ou uma perda profunda, existe um momento em que a pessoa já não quer só entender o que aconteceu — quer seguir em frente. Mas “seguir em frente” nem sempre parece a mesma coisa que “ter superado”.